Um tornado é um pequeno, porém intenso, redemoinho de vento, formado por um centro de baixa pressão durante tempestades. Se o redemoinho chega a alcançar o chão, a repentina queda na pressão atmosférica e os ventos de alta velocidade (que podem alcançar mais de 500 km/h) fazem com que o tornado destrua quase tudo o que encontrar no meio de seu caminho.
Normalmente a sua formação ocorre no final da tarde, horário em que a atmosfera se encontra mais instável, com forte turbulência e presença de nuvensCumulonimbus. Porém não é incomum observar o surgimento desses ciclones durante a noite. Isso porque os tornados também vem de uma categoria específica de nuvens chamadas super-células de tempestade, que "amadurecem" durante o dia e se transformam em fortes tempestades de granizo. O tamanho destas pedras de granizo é bastante considerável se tivermos como padrão as pequenas pedras conhecidas, que são de aproximadamente 0,5 cm. Estas podem variar do tamanho de uma bola de gude até ao de uma bola de golfe ou tênis. Um prenúncio de um tornado são as chamadas rotation wallclouds, que são nuvens baixas, com o formato de uma base de pirâmide.
A intensidade dos tornados é classificada na escala Fujita que vai de F0 até F6, sendo o F0 o mais fraco e o F6 o mais forte. Atualmente, existe uma nova versão desta escala, a escala Fujita melhorada, que vai de F0 a F5. Tornados com intensidade F5 são muito raros de se observar enquanto tornados F6, apesar de ser aceitado na escala Fujita convencional, são apenas hipotéticos.[1][2]
A coloração cinza ou "amarronzada" dos tornados ocorre devido aos detritos e poeira que ele desloca. Quando ocorre sobre uma porção grande de água (mar, lagos ou grandes rios), o fênomeno recebe o nome de tromba de água.
Apesar de ser comum se confundam tornados com furacões, os dois são fenômenos bem distintos:
Um furacão mede centenas de quilômetros de diâmetro e a sua formação ocorre sempre sobre as águas dos oceanos, pois é de lá que ele obtém a sua energia. Sua duração pode chegar a vários dias mas quando atinge a terra firme perde a sua força até dissipar-se.
Já os tornados são mais localizados (porém muito mais energéticos), apresentando um funil relativamente estreito, que raramente atinge diâmetros superiores a 1 km, e tem a duração aproximada de 20 minutos.
Normalmente, os tornados se formam associados a tempestades severas que produzem fortes ventos, elevada precipitação pluviométrica e freqüentemente granizo. Felizmente menos de 1% das células de tempestade originam um tornado. Porém todas as grandes células convectivas devem ser monitorizadas por sempre haver a possibilidade destas reunirem as condições necessárias para a ocorrência do fenômeno.
Embora ainda não exista um consenso sobre o mecanismo que desencadeia o início de um tornado, aparentemente eles estão ligados a uma interação existente entre fortes fluxos ascendentes e descendentes que formam uma movimentação intensa no centro das nuvens carregadas que compõem as super-células tempestuosas.
Essas células normalmente formam-se devido ao contraste existente entre duas grandes massas de ar com diferentes pressões e temperaturas. Alguns locais do planeta estão mais sujeitos ao encontro desses contrastantes sistemas atmosféricos, como é o caso do meio-oeste dos EUA, ou o centro-sul da América do Sul.
Após tocar o solo, um tornado pode atingir uma faixa que varia entre 100 a 1200 metros, deslocando-se por uma extensão de aproximadamente 30 km (embora já tenham sido registrados tornados que se deslocaram por distâncias superiores a 150 km).
Formação de um tornado:
Formação de um tornado
1- Antes do desenvolvimento da tempestade, uma mudança na direção do vento e um aumento da velocidade com a altura criam uma tendência de rotação horizontal na baixa atmosfera. Essa mudança na direção e velocidade do vento é chamada de cisalhamento do vento.
2- Ar ascendente da baixa atmosfera entra na tempestade inclinada e o ar em rotação da posição horizontal muda para a posição vertical.
3- Então há a formação de uma área de rotação com comprimento de 4-6 km, que corresponde a quase toda extensão da tempestade. A maioria das tempestades fortes e violentas são formadas nestas áreas de extensa rotação.
4- A base da nuvem e sua área de rotação são conhecidas como wall cloud. Esta área é geralmente sem chuva.
Um tornado de vórtice múltiplo é um tipo de tornado no qual dois ou mais colunas de ar giram ao redor de um centro comum. Estruturas de múltiplos vórtices podem ocorrer em quase qualquer circulação, mas é mais freqüentemente observado em tornados intensos.
Tornado satélite
Um tornado satélite é para um tornado mais fraco que forma muito perto de um tornado mais forte contido dentro do mesmo mesociclone. O tornado satélite pode se aparecer estar orbitando o tornado maior (e daí o nome), dando o aparecimento de um grande tornado de vórtices múltiplos. Porém, um tornado de satélite é um funil distinto, e é muito menor que o funil principal.
Trombas de água de tempo razoável são menos severos, mas mais comuns e são semelhantes quanto a sua dinâmica aos redemoinhos ou aos landspouts. Eles formam-se na base de nuvens cumulus congestus em águas tropicais ou subtropicais. Eles têm ventos relativamente fracos, paredes de fluxo laminar estáveis e lisos e geralmente viajam muito pouco. Em Florida Keys, este fenômeno é freqüentemente visto.
Trombas de água tornádicas são literalmente tornados sobre água. Eles podem formar-se sobre água como um tornado mesociclônico ou ser um tornado quando eles fazem landfall, ou seja, quando começa a mover-se sobre terra. Devido a sua origem de uma severa tempestade e por ser geralmente mais intensos, rápidos e de mais longa duração do que as trombas de água de "tempo razoável", são considerados mais perigosos .
Landspout
Um landspout é um termo não-oficialmente usado para designar tornados que não se originaram de mesociclones. Os landspouts apresentam as mesmas características do que as trombas de água de tempo razoável, ou seja, curta duração e ventos mais fracos do que um sistema de tornado. Devido a essas características, um landspout pode ser chamado de "tromba de terra", pois este sistema nada é mais do que uma tromba de água de tempo razoável sobre terra.
Escala Fujita
Dentre as diversas classificações existentes para determinação da intensidade dos tornados, a escala Fujita é uma das mais aceitas, sendo utilizada desde 1971.[1] Entre os anos de 2000 e 2004 foram realizados estudos pela Texas Tech University com o intuito de desenvolvê-la e as alterações propostas foram colocadas em prática nos Estados Unidos em 1 de Fevereiro de 2007.
A Escala Fujita Melhorada (Enhanced Fujita Scale)[3][4], propõe novos métodos para melhor analisar e relacionar os danos causados pelos tornados e a velocidade dos ventos associados a ele. O tornado de Greensburg, Kansas (04/05/2007) foi o primeiro categoria 5 (EF5) analizado com esta nova metodologia.
Classificação
Velocidade dos ventos (km/h)
Largura da trilha (metros)
Comprimento da trilha (km)
Danos provocados
F0
65-115
3-20
0-2
Leves
F1
115-180
10-100
1-5
Moderados
F2
180-250
50-500
2-20
Fortes
F3
250-330
500-1000
5-60
Severos
F4
330-420
1000-2000
10-150
Devastadores
F5
420-530
2000-5000
10-500
Incríveis
(Escala de Fujita, com associação de outras características correlacionadas)
É importante salientar que a largura e o comprimento das trilhas não necessariamente estão dentro dos valores indicados na tabela, pois estes podem sofrer variações em função das particularidades do local de ocorrência do fenômeno.
Época propícia para Tornados no Brasil
A primavera e o outono são as estações dos tornados no Brasil. Pesquisas desenvolvidas recentemente comprovam que uma porção significativa das destruições atribuídas aos vendavais nos Estados do sul e parte do sudeste e centro-oeste são provocadas, na verdade, por tornados.
17 de fevereiro de 1985 - São Paulo, SP (tornado F0 na forma de tromba d'água na Represa de Guarapiranga atinge o São Paulo Yacht Club)[5]. A data foi obtida através da matéria citada, considerando que o tornado formou-se em um domingo de Carnaval em 1985.
30 de setembro de 1991 - Itu, SP (tornado F4, provavelmente o maior já registrado no país mas não documentado pela mídia impressa com 16 mortes)[6]
28 de novembro de 1995 - Campinas, SP (tornado não ducumentado pela mídia impressa onde foram destruídos vários prédios da região, inclusive o centro de convenções da Unicamp)[6]
27 de janeiro de 1996 - litoral de Santa Catarina (Tromba d'água) - litoral de Santa Catarina[7]
18 de abril de 2005: Rio de Janeiro - Tromba d'água no Rio de Janeiro - RJ[19]
10 de maio de 2005 - Ubatuba, SP (Tromba d'água)[20]
24 de maio de 2005 - Indaiatuba, SP (tornado F3 com vórtices múltiplos - R$ 100 milhões em prejuizos)[21][22]
20 de junho de 2005 - Macaé, RJ - Um tornado danificou ao menos 20 casas e seis helicópteros, na noite de segunda-feira, em Macaé (RJ). Seis pessoas tiveram ferimentos leves.[23]
20 de outubro de 2007 - Ronda Alta, RS (tornado F2, acompanhado de chuva e granizo)[33]
13 de novembro de 2007 - Meio Oeste e Oeste catarinense, SC (tornado F1, acompanhado de chuva e granizo, destelhou muitas casas em Campos Novos.[34]
14 de novembro de 2007 - Noroeste gaucho, RS (tornado F1, foi acompanhado de muita chuva e granizo, 90% das casas destelhadas, algumas casas e uma Igreja Evangélica foram totalmente destruidas, prédios públicos foram atingidos e muitos postes de luz, torres e árvores também foram ao chão em Boa Vista do Buricá.[35]
16 de Fevereiro de 2008 - Tubarão, SC. Tornado com intensidade F1 no distrito de Lageado, no município de Tubarão, SC. 10 árvores caíram, duas casas tiveram seus telhados arrancados e uma pessoa ficou ferida quando a porta de sua casa foi arrancada pela força do vento.[37][38]
10 de Junho de 2008 - Santarém, PA. Tornado F0 se formou no rio que banha esta cidade, se caracterizando como uma tromba d'água durante 8 minutos, sem causar danos. [41]
26 de Junho de 2008- São Luís, MA. Tornado F0 atingiu zona rural da capital maranhense, derrubando árvores e causando pequenos estragos. O fenômeno teve duração de apenas 5 minutos; esta é segunda vez que um tornado atinge a região em menos de dois meses, o primeiro foi no início de Maio, na praia de Araçagy.[42]
10 de Setembro de 2008 - Tabaí, RS. Tornado F1 atinge a BR-386, em território deste mesmo município, derrubando alguns veículos e várias árvores. [43]
Tornados em Portugal
Em Portugal, tal como no resto da Europa, os arquivos meteorológicos apenas integram os dados observados nas estações. Uma vez que os tornados são fenómenos da microescala, a probabilidade de serem observados numa estação é muito pequena, por isso o registo da sua ocorrência fica limitado à descrição das populações e, eventualmente, nos últimos anos, a algum registo fotográfico.
Desde 1999 tem sido feita a recolha dos dados disponíveis relativos aos tornados que ocorreram em Portugal, existindo actualmente uma base da dados com 42 tornados e trombas de água ocorridos entre 1936 e 2004.
Os eventos que integram esta base de dados foram analisados e classificados em termos de data e hora de ocorrência, intensidade, comprimento, largura e direcção do percurso, dos efeitos e das condições meteorológicas em que ocorreram. Verificou-se que o tornado mais intenso em Portugal (um F3) ocorreu em Castelo Branco, em 6 de Novembro de 1954, causando 5 mortos e 220 feridos e destruindo a estação meteorológica local.
A partir de 2001 a recolha de dados de campo revela a existência de mais tornados fracos e de percursos muito mais longos do que era possível inferir dos registros históricos, além de algumas situações de grande interesse do ponto de vista da meteorologia.
Um fenômemo natural associado à formação de tornados é a chuva de animais[44]. Na chuva de animais é comum encontrar peixes, rãs, sapos e pássaros que caem como chuva. Tal fenômeno pode ser explicado através de um tornado na forma de tromba d'água, sugando as formas de pequenos animais (peixes, rãs e sapos) para o interior da tespestade de ventos ascendentes, ocasionando a posterior precipitação dos mesmos em regiões próximas. Relatos indicam que em 14 de fevereiro de 2007 ocorreu uma chuva de peixes em Paracatu, cidade do interior de Minas Gerais[45].
Tornado e a lenda do Saci Pererê
Uma das lendas populares do Brasil é representada pelo Saci Pererê. A lenda diz que o Saci está nos redemoinhos de vento, e que pode ser capturado jogando-se uma peneira sobre estes. Deve-se então retirar o capuz da criatura para garantir sua obediência, guardando o em uma garrafa. Transpondo-se a lenda do Saci Pererê para os fenômenos atmosféricos dos tornados podemos identificar uma simbologia desse fenômeno que transpuseram décadas, passadas de geração em geração através de histórias infantis.
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