Miss Brasil

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O Miss Brasil é o nome de um concurso de beleza realizado no Brasil, que visa eleger, entre as representantes de cada unidade da federação, uma candidata que represente a beleza da mulher brasileira para que esta possa disputar o título de mulher mais bonita no Miss Universo, com representantes de diversos países. A vice-campeã disputa o Miss Internacional.


Índice

História do concurso Miss Brasil

Primórdios

O concurso começou a ser realizado regularmente em 1954, na boate do Palácio Quitandinha, em Petrópolis, Rio de Janeiro. A princípio, participavam candidatas de seis estados. E desde então, essas lindas mulheres tiveram a tarefa, de representar o Brasil com beleza, elegância no concurso Miss Universo.

Com a entrada dos Diários Associados na promoção do evento, a partir de 1955, o Miss Brasil passou a ter mídia e se tornou o segundo evento mais importante do país atrás apenas da Copa do Mundo FIFA de futebol. As transmissões televisivas, encabeçadas pela Rede Tupi, passaram a ter peso depois que sua sede foi transferida de Petrópolis para a então capital federal em 1958.

"Anos Dourados"

Na década de 60, o Brasil conquistaria suas duas únicas vitórias tanto no Miss Universo (Ieda Maria Vargas, 1963 e Martha Vasconcellos, 1968) como no Miss Beleza Internacional (Maria da Glória Carvalho, 1968). Nesse período o país chegou às semifinais e finais de ambos os concursos por várias vezes. Em 1971, a segunda colocada no Miss Brasil,Lucia Tavares Petterle, Miss Guanabara, foi eleita Miss Mundo.

A mudança para Brasília

Com a queda constante de público no Maracanãzinho, os organizadores do concurso decidiram transferí-lo em 1973 para Brasília, capital do país. A transferência ocorreu por uma razão bem estratégica: era na capital federal que se concentrava mais da metade das conexões de vôos procedentes de todas as regiões do país (isso apesar de algumas misses, geralmente não nascidas nos Estados pelos quais competiam, serem indicadas à época).

A transferência do Miss Brasil para o centro do país tinha, além de razões logísticas (a sede dos Diários Associados fora transferida para lá), uma razão política extra: a proximidade com o poder facilitaria as recepções de presidentes da República às candidatas dos Estados e da capital anfitriã. No entanto, nem todos os ocupantes (caso de Ernesto Geisel) eram simpáticos no trato com as postulantes ao título máximo da beleza nacional. Segundo trechos do Diário de Heitor Ferreira (nome dado aos manuscritos do secretário particular do então presidente) reproduzidos pelo jornalista Elio Gaspari em seu livro A Ditadura Derrotada (Companhia das Letras, 2004), Geisel "se recusou a receber as candidatas a Miss Brasil (1974)" no Palácio da Alvorada.

Problemas com a Censura

A má receptividade do Miss Brasil por alguns setores do governo Geisel trouxe problemas sérios não só para a sua sobrevivência como a da emissora que o transmitia. Nessa época, era comum ver no palco do Ginásio Nilson Nelson (sede das finais) números musicais de artistas considerados "subversivos" ou "perigosos" para o regime militar de então. Foi o caso de Maria Alcina e Raul Seixas (que cantaram no concurso de 1976). Houve até ameaças de fechamento da TV Brasília (geradora do evento) por desobediência a proibições da Censura Federal a certas músicas de Alcina, Seixas e outros cantores e compositores.

A crise de 1976-80

Sem contar a antipatia do poder público, o concurso também enfrentava sucessivos problemas de perda de público (tanto no ginásio como nos lares com TV) desde o início de sua realização em Brasília. Estes, no entanto, se agravaram em 1976 quando a marca multinacional de cosméticos Helena Rubinstein retirou seu patrocínio ao Miss Brasil.

Em 1977, a Rede Tupi transmitira o Miss Brasil ao vivo pela última vez. No entanto, a emissora continuaria a emprestar apoio logístico ao evento até 1980 (quando sua situação financeira era gravíssima e os índices de audiência beiravam o traço). A concordata dos Associados (provocada pelo fechamento de sete das nove emissoras da Tupi) obrigou o grupo, nos primeiros dias de 1981, a passar as franquias do Miss Brasil e do Miss Universo para o SBT (que já transmitia o concurso internacional através da TVS e das emissoras da Record em São Paulo, São José do Rio Preto e Franca (hoje integrantes da rede nacional homônima).

A mudança para o SBT

Com a quebra da Rede Tupi e a concordata dos Associados em julho de 1980, a responsabilidade pela promoção do Miss Brasil passou a ser do SBT, uma das redes nacionais de TV criadas a partir da partilha determinada pelo Ministério das Comunicações. Nesse período, Marlene Brito (funcionária da rede extinta aproveitada pelo Grupo Sílvio Santos) foi incumbida pela direção da nova emissora de coordenar as atividades correlatas ao certame. Com isso, Sílvio Santos seria apenas o mestre-de-cerimônias oficial.

Na "era SBT", o Brasil obteve resultados pífios no Miss Universo (uma finalista e três semifinalistas, fora as premiações especiais de traje típico concedidas em 1981, 1987 e 1989). Com a queda dos índices de audiência, a rede de Sílvio Santos parou de promover o Miss Brasil-Miss Universo em 1990, em função da não participação do país no Miss Universo 1990.

Os anos 90

Com a retirada do SBT da promoção do Miss Brasil, Marlene Brito saiu da emissora e montou uma empresa apenas para a promoção de concursos de beleza. A nova empreitada, batizada de The Most of Brazilian Beauty, promoveu apenas os concursos de 1991 e 1992. Em 1993, por problemas de patrocínio, Marlene decidiu indicar a única miss estadual eleita para aquele ano, a gaúcha Leila Cristine Schuster para a vaga brasileira ao Miss Universo 1993. A coroação aconteceu num restaurante de São Paulo.

Em 1994, uma associação de cronistas sociais indicou Paulo Max para ficar com as franquias nacionais do Miss Universo e Miss Beleza Internacional. Max morreu em 1996 num acidente de carro na serra fluminense. Seus filhos, Paulo Max Filho e Ana Paula Sang coordenaram o concurso entre 1997 e 1998.

No entanto, as diversas trocas de organizadores afetaram seriamente o desempenho brasileiro no Miss Universo: o país só chegou às semifinais por duas vezes (1993 e 1998) e não chegou às finais em nenhuma delas. Em compensação, algumas vencedoras do concurso nacional levaram outros títulos internacionais de menor expressão, como o Nuestra Belleza Internacional (voltado apenas para a América Latina).

A revitalização midiática

À frente do Miss Brasil desde 1999, o empresário Boanerges Gaeta Jr., diretor da Gaeta Promoções e Eventos, ficou com a responsabilidade de recolocar o concurso, desde então intitulado Miss Brasil Oficial, na rota dos eventos de grande interesse da mídia, inicialmente de forma local (através da CNT Rio de Janeiro). Em 2002, a vencedora do concurso de 1997, Nayla Micherif, se tornou sócia da empresa responsável pelo certame.

Nesse ano, o Miss Brasil voltou a ser exibido em rede nacional (inicialmente pela RedeTV!). A etapa internacional voltaria ao ar em 2003, com o concurso já feito em parceria com a Band.

Regras

Pelo regulamento do Miss Brasil Oficial é proibida a participação de candidatas nas seguintes condições:

  • com idade inferior a 18 ou superior a 25 anos;
  • grávidas, casadas ou mães solteiras;
  • que tenham participado de filmes eróticos ou ensaios de cunho sensual ou de nudez artística;

No entanto, algumas brechas no regulamento permitem que candidatas que não nasceram nos Estados pelos quais vão competir participem da disputa nacional. É o caso de Márcia Gabrielle (carioca, eleita Miss Brasil por Mato Grosso em 1985) e de Gislaine Rodrigues Ferreira (mineira, eleita Miss Brasil por Tocantins em 2003).

Obrigatoriamente, a interessada em ser candidata a miss municipal ou estadual ao Miss Brasil deve ser nascida no próprio país. A vencedora só poderá participar do Miss Universo uma única vez, mas essa regra não impede que algumas ex-misses tentem outros títulos internacionais após o fim de seus reinados. Foi o que fez Adriana Alves de Oliveira (Miss Brasil em 1981 e Miss Brasil Mundo 1984).

Etapas de classificação

Até a semana do Miss Brasil, há uma série de procedimentos de seleção. O primeiro deles, em alguns Estados, consiste na seleção das candidatas municipais para os concursos estaduais (cujas datas ficam sob critério e responsabilidade exclusiva de seus franqueados e/ou diretores).

No entanto, em Estados onde não há concurso, a escolha da representante se dá através de uma espécie de portfólio que a direção local possui de modelos inscritas em anos anteriores para a disputa da indicação final.

Concursos estaduais

Eventos de grande importância histórica para o processo de eleição da Miss Brasil, os concursos dos Estados e do Distrito Federal são concebidos como supereventos para receber atrações musicais de renome nacional ou local. Alguns deles, como o Miss São Paulo, Miss Rio de Janeiro e Miss Minas Gerais, por exemplo, são televisionados nacionalmente.

Outros de porte médio, como o Miss Santa Catarina, Miss Pará e o Miss Pernambuco por exemplo, tem suas transmissões restritas aos respectivos Estados e são amplamente repercutidos pelas mídias locais e sites especializados nacionais.

Dia do concurso

Um mês antes da final nacional, as candidatas começam a cumprir agendas de compromissos para a emissora geradora do evento (gravação de vinhetas, perfis individuais e fotos de divulgação). Depois, as misses encerram a preparação em seus Estados e em Brasília para receberem os trajes típicos da noite do concurso.

Na semana do Miss Brasil, as candidatas fazem as fotos oficiais para os perfis de votação online, participam de ensaios e cumprem agenda de city tour na cidade-sede e, eventualmente, programação com autoridades. Em algumas edições, a Miss Universo do ano anterior é convidada de gala para o evento e cumpre agenda paralela de atividades beneficentes determinadas por obrigação contratual (caso de Zuleyka Rivera, convidada de 2007, que esteve em São Paulo e Rio de Janeiro).

Sem preliminares de traje de banho ou traje de gala, a definição das semi-finalistas e finalistas do Miss Brasil fica toda concentrada na noite do concurso. Fora isso, a única competição prévia é a de melhor traje típico estadual. A vencedora, além das premiações da organização, cumpre uma agenda de mídia antes de retornar a seu Estado e cumprir sua preparação para o Miss Universo (evento realizado em data e sede móveis).

Televisão

As primeiras transmissões televisivas do Miss Brasil em rede nacional ocorreram a partir de 1970 na Rede Tupi. Até então o concurso era mostrado para outros Estados em VT com dias de atraso em relação à exibição para o público da cidade-sede.

O SBT assumiu a transmissão e promoção do evento de 1981 a 1989. Com a mudança de direção, os concursos de 1991, 1992, 1994 e 1995 não foram televisionados. Depois de alguns hiatos, a Rede Record exibiu um VT do evento em 1996. De 1997 a 2001, emissoras da Rede Manchete, Record e CNT transmitiram as finais em nível regional. O concurso voltaria a ser televisionado nacionalmente em 2002.

Diretores de transmissão

O mais conhecido diretor geral de televisão do concurso Miss Brasil é Homero Salles, que dirigiu de 1981 até 1987 pelo SBT. Com o retorno do concurso à mídia em 2003, outros nomes como Marlene Mattos e Rodrigo Carelli executaram essa tarefa na Rede Bandeirantes.

"Hosts" ou apresentadores

Nomes consagrados já passaram pelo posto de apresentador do Miss Brasil, entre eles Silvio Santos, que comandou o evento de 1981 a 1989, exceto em 1988, quando teve problemas nas cordas vocais e foi substituído por Murilo Nery. Em 1990, o SBT desistiu de realizar o evento e o Brasil ficou de fora do Miss Universo.

A atual apresentadora, Nayla Micherif (Miss Brasil 1997), assumiu o posto no Miss Brasil 2002, realizado no Rio de Janeiro.

Vencedoras

Ver artigo principal: Lista de misses do Brasil

As vencedoras nas últimas dez edições foram:

Conquistas por unidade da Federação

Miss Brasil

Quantidade de títulos de Miss Brasil por unidade da federação
Acre Alagoas Amapá Amazonas Bahia Ceará Distrito Federal Espírito Santo Fernando de Noronha Goiás
Guanabara Maranhão Mato Grosso Mato Grosso do Sul Minas Gerais Pará Paraíba Paraná Pernambuco Piauí
Rio de Janeiro Rio Grande do Norte Rio Grande do Sul Rondônia Roraima Santa Catarina São Paulo Sergipe Tocantins
Legendas
11 títulos
8 títulos
7 títulos
6 títulos
5 títulos
3 títulos
2 títulos
1 título
(1957)

Miss Brasil Internacional

Conquistas por Região do Brasil

* Miss Brasil 2002 destronada: nesse ano, Joseane Oliveira, do Rio Grande do Sul, foi eleita Miss Brasil na cidade do Rio de Janeiro. No entanto, foi destronada faltando três meses para o término de seu reinado por ser casada. A segunda colocada, Thaisa Thomsem, de Santa Catarina, foi coroada a nova Miss Brasil 2002.

Top 10 histórico do Miss Brasil

Abaixo, há uma versão nacional da tabela do Miss Universo, contendo a quantidade de títulos e as respectivas qualificações na fase final dos dez primeiros colocados.

Posição Estado Títulos 1a Finalista 2a Finalista 3a Finalista 4a/5a Finalista Total
1a Rio Grande do Sul Rio Grande do Sul 11 5 8 5 3 32
2a São Paulo 8 10 4 1 8 31
3a Minas Gerais 7 4 7 2 6 26
4a Rio de Janeiro 2 4 3 7 5 21
5a Guanabara 6 3 6 1 0 16
6a Santa Catarina Santa Catarina 5 3 1 4 1 14
7a Paraná Paraná 3 3 3 2 3 14
8a Ceará Ceará 2 1 1 3 6 13
9a Bahia Bahia 3 1 4 0 4 12
10a Pernambuco Pernambuco 0 3 3 4 2 12

Locais do concurso

Misses em telenovelas, cinema e apresentadoras de programas de televisão

Algumas vencedoras do Miss Brasil (ou suas finalistas) passaram a fazer carreira na televisão ou no cinema após seus reinados. São elas:

Ver também

Ligações externas

Principais concursos de beleza do Brasil
Miss Brasil | Miss Mundo Brasil | Miss Brasil Internacional | Beleza Brasil



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